• Jorge Alexandre Moreira

O Mistério do S. S. Ourang Medan

O Estreito de Malaca, que passa entre a Malásia e a Indonésia, é uma das mais importantes rotas comerciais do mundo.


Em um dia de mar calmo e céu limpo em fevereiro de 1948, dois navios mercantes americanos, o City of Baltimore e o Silver Star passavam por lá quando captaram um desesperado pedido de socorro em código morse:


"S.O.S. from Ourang Medan (pause)

We float. All officers including the captain,

dead in chartroom and on the bridge. (pause)

Probably whole of crew dead (incomprehensible)

I die."


"S.O.S. do Ourang Medan (pausa)

Nós flutuamos. Todos os oficiais incluindo o capitão

mortos na sala de mapas e na ponte (pausa)

Provavelmente toda a tripulação morta (incompreensível)

Eu morro (provavelmente, "eu morrer")


O Silver Star localizou a origem da transmissão e partiu a seu encontro. Durante todo o percurso, que demorou algumas horas, tentou-se contato com o navio que pedia socorro, mas só houve silêncio.


Quando a tripulação do Silver Star avistou o Ourang Medan, tentou-se contato por rádio e por alto-falantes, mas ninguém respondeu nem apareceu no convés.


Uma equipe do Silver Star partiu em um bote para abordar o Medan e claro que, à essa altura, eles já esperavam que algo estivesse errado, mas não tão errado.


Havia cadáveres por toda parte. No convés, na ponte de comando, na casa de máquinas. Todos os membros da tripulação estavam mortos. Até o cachorro do capitão. O mais estranho: os corpos não tinham sinal visível de ferimentos e quase todos estavam com olhos e boca abertos, uma expressão de horror congelada nos rostos. O oficial de comunicações, provavelmente o responsável pela mensagem de S.O.S., ainda estava sentado em seu posto na ponte de comando, dedos sobre o telégrafo, olhos abertos.


O comandante do Silver Star decidiu rebocar o navio até o porto mais próximo, mas antes que os cabos pudessem ser preparados, alguém percebeu fumaça saindo de um dos decks inferiores. A equipe do Silver Star evacuou o Ourang Medan às pressas, mal tendo tempo de salvar suas vidas. Uma imensa explosão partiu o navio em dois, levando-o para o fundo.


Um outro detalhe perturbador é que, embora nesse dia, as temperaturas estivessem em torno de 37º C, mas a equipe que abordou o Medan afirmou que começou a sentir frio, à medida em que se aproximava do navio. Eles estimaram que a temperatura, em alguns locais do navio, estava na casa dos 4º C.


Há várias teorias para o que pode ter acontecido naquele dia de 1948.

Entre aquelas que merecem algum crédito, está desde aquela que supõe ser a história totalmente falsa, tendo em vista não haver nada sobre nenhuma embarcação chamada Ourang Medan no Lloyd's Shipping Register, que registra atividades marítimas desde 1760.

Mas embora detalhes divirjam, a história foi noticiada em vários jornais e o pedido de socorro foi captado por várias embarcações. Além disso, há uma teoria que explicaria tanto o fato de não haver nenhum registro do Ourang Medan quanto o fato do suposto estado em que a tripulação teria sido encontrada. E ela não tem nada de sobrenatural.


O navio poderia estar transportando uma carga de gás dos nervos, uma arma química que o Japão estocava na China durante a guerra e que poderia ter sido dividida pelos países que a ganharam. Como não seria possível transportar a arma em um navio americano sem deixar rastro de documentação, uma solução poderia ser usar uma embarcação sem registro ou com registro falso e levar a carga para os EUA ou alguma ilha do Pacífico.


O gás dos nervos é um tipo de arma química de guerra que ataca o sistema nervoso central, provocando morte rápida e dolorosa. Um exemplo é o Tabun. O Tabun é um líquido transparente, sem gosto e com um suave odor de frutas (eu sempre me pergunto como eles conseguem esse tipo de informação).


Extremamente volátil, o Tabun, em altas doses, pode matar em 1 a 10 minutos. Mas uma dose letal pode ser inalada e a morte levar até duas horas para acontecer. Isso poderia explicar o oficial de telecomunicações.


Pelo menos 12.000 toneladas cúbicas de Tabun foram produzidas entre 1942 e 1945.


Eu sigo acreditando no mundo sobrenatural. Mas também continuo achando que somos mais assustadores do que a maioria das coisas que pode haver por lá.

Curtiu? Nesse mês o blog é dedicado aos mistérios do mar. Isso é para comemorar o lançamento, no dia 02 de setembro, de Numezu, em e-book.

Numezu, meu último livro, conta a história de um casal em crise, Laura e Raoul, que decidem alugar um veleiro para passar uns dias isolados e tentar reacender um relacionamento que já foi muito bom. Mas, durante um mergulho, Raoul encontra uma estranha estatueta e a leva para o barco. O que eles não sabem é que é o ídolo de um antigo demônio, aprisionado por uma terrível maldição. Sob sua influência, Raoul, pouco a pouco, enlouquece e Laura terá que lutar pela própria vida.

A edição em e-book de Numezu virá com um conto especial de bônus, Águas Mortas. E quem compra o livro físico, em agosto, também recebe brindes. Confira já!

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